Cláudia, meu convívio com o poeta que tanto admiro deu-se através de sua poesia. E de observar, de longe, aquela figura ímpar, que sempre me passou um misto de mansidão e força, típica das grandes almas. O que tenho a partilhar é a marca de um encontro do qual não posso dizer apenas, tanto que me encheu de orgulho e alegria.
Guardo no coração feito um tesouro a presença do poeta dO cão de olhos amarelos na platéia de premiação do prêmio Maximiano Campos 2006 que veio, ao final do evento, pedir para ser apresentado a esta poetisa menor para me dizer que enquanto rolava a cerimônia começou a ler meu conto, no exemplar de O talento com as palavras que recebera, e que parou para ler com calma em casa porque “nas primeiras linhas já vi que ali estava um conto bom”.
Premiou-me então naquela noite com sua generosidade o poeta que, pela presença entre nós, aparentemente teve atendida sua Súplica e aprendeu
“a dizer um adeus tão raro,
a ponto de pensarem, mesmo,
que fui ali comprar cigarro.”
Minha gratidão à vida por permitir que tenha passado por nós e ficado conosco um Alberto da Cunha Melo.
Gerusa Leal
2008/5/13 inter.g
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