Na próxima segunda feira, 25 de agosto, a partir das 19 horas, no auditório da FAFIRE - Av. Conde da Boa Vista, 921, Boa Vista - Recife - PE - Entrada Francavocê terá oportunidade de encontrar-se com a arte de Alberto da Cunha Melo. Homenagem do 6º Festival Recifense de Literatura
Carne de Terceira com Poemas à Mão Livre, de Alberto da Cunha Melo (poesia) e Faces da Resistência na Poesia de Alberto da Cunha Melo, de Cláudia Cordeiro (ensaio).
PROGRAMAÇÃO
A partir das 19horas
Vozes poéticas de nossa terra: homenagem a Alberto da Cunha Melo e Orismar Rodrigues
Abertura da Exposição Alberto da Cunha Melo
(Curadoria: Biblioteca Pública Estadual)
Recital Recife de toda poesia - alunos de Letras da FAFIRE
Alberto da Cunha Melo: “poesia para sempre” Cláudia Cordeiro
O imaginário pernambucano na obra de Gilvan Lemos Alexandre Furtado | FAFIRE
Coordenação: Liliane Jamir | FAFIRE
Homenagem da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco
EXPOSIÇÃO ITINERANTE: No caminho com Alberto” - 25 de agosto a 9 de novembro
PROGRAMAÇÃO
25|ago a 29|set 2008 Faculdade Frassinetti do Recife | FAFIRE
01|set a 12|set 2008 União Brasileira de Escritores | UBE
15|set a 26|set 2008 Espaço Alberto da Cunha Melo
29|set a 03|out 2008 Biblioteca Pública de Jaboatão
13|out a 31|out 2008 Biblioteca Pública do Estado de
Pernambuco
06|nov a 09|nov 2008 Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas | FLIPORTO
Notícia enviada para o mailing Plataforma para a Poesia. Clique aqui!
Conheça o site oficial do poeta: www.albertocmelo.com
As coisas e fatos que marcaram de certo modo nossas vidas não são esquecidos facilmente. A esponja por mais que seja eficiente deixa sempre resíduos que se reaglomeram e se condensam em imagens; e, uma vez ou outra, sem que tenhamos feito muito esforço surgem essas imagens sob a forma de lembranças que nos levam a retroceder anos e anos atrás no tempo. E isso aconteceu recentemente comigo.
Estava eu dias atrás pensando em encontrar uma maneira de divulgar minha pequena e modesta obra ensaística, pois os livros que publiquei estão todos esgotados, e devido as suas peculiaridades não creio que venham ainda motivar qualquer interesse ao editor. Socorro e minha filha Mariana sugeriram, então, que fizesse um blog e colocasse a obra a disposição do público, inclusive com reprodução livre para quem viesse a ter qualquer interesse em usá-la. A minha caturrice com o computador é de domínio público. Todos os meus amigos que navegam pela internet, passam, recebem e repassam e-mails e outros animais de igual porte me gozam. Assumo minha burrice e não me aproximo da tal máquina, até por medo que ela venha a me engolir e lançar-me no labirinto da realidade virtual. Se eu ficasse seguramente de fora, e elas, Socorro e Mariana, assumissem todos os encargos decorrentes da empreitada, então assim eu me disporia a usar o tal blog. Acordo feito, a partir daí passamos a pensar no nome, isso naturalmente ficou sob minha responsabilidade.
A escolha de título ou nome para qualquer peça literária que escrevi sempre me deu um trabalho dos diabos. Passo dias matutando. Mas ocorreu dessa última vez uma coisa estranha: divagava… divagava e só vinha o suposto título “Coisas da Vida” Que coisa, me perguntei. Até porque o título vinha sempre associado ao nome e a lembrança do meu amigo maior Alberto da Cunha Melo. Recorri a minha biblioteca e me encontrei.
Há cerca de dez anos atrás, numa de minhas andanças com meu amigo Homero Costa para visitar livrarias, em Campina Grande, num pequeno sebo deparei-me com um exemplar de livro de autor que não me era desconhecido; Eliezer Figuerôa era o seu nome. Obra provinciana que tratava de assunto provinciano: uma história da imprensa de Jaboatão. Comprei pelo preço e por haver no livro certo registro que me interessava. Lá estava um capítulo dedicado ao “Dia Virá”; jornalzinho que um grupo de estudantes fazia em Jaboatão. Nesse grupo estavam Alberto Cunha Melo, Zé Luis de Melo e eu.
Retirei o livro da estante, e consultei às páginas dedicadas ao “Dia Virá”. Nelas encontrei a chave do enigma. A recorrência ao título Coisas da Vida foi desvendada, pois ele estava referido a uma coluna assinada por um certo Joseph de la Rue, que no nanico “Dia Virá” era o pseudônimo de Alberto Cunha Melo, personagem fortíssima de minha breve história.de vida e intelectual. Agora, havia mais uma razão para me fixar em “Coisas da Vida” e dar este título ao tal Blog, pois esse fato veio a dar corpo à matéria da memória.
É bom realçar que ao meu amigo Alberto eu devo a minha iniciação intelectual. Numa entrevista para José Soares Júnior, publicada sob a forma de livro comemorativo dos setenta anos da Academia Norte-Rio-grandense de Letras, afirmei que duas pessoas haviam sido importantes em minha trajetória intelectual e de vida: o operário Sebastião Ricardo e o poeta Alberto da Cunha Melo. Através do primeiro, eu comecei a ler a literatura socialista; Alberto, por sua vez, revelou-me o mundo da poesia e aproximou-me de jovens intelectuais, que vieram a constituir o grupo de Jaboatão, deflagrador do movimento que ficou conhecido como geração-65, de marcante presença no cenário cultural pernambucano.
Para Alberto Cunha Melo, In memoriam, dedico este humilde blog que penso alimentar pelo resto de minha vida. Assim como Alberto denominou de poeta mentor a César Leal, eu o denomino de intelectual mentor de toda uma geração que teve o privilegio de tê-lo como amigo e orientador. Salve Alberto, em louvor da amizade; que em vida cultivamos por quase meio século, e que permanecerá por toda minha breve existência graças ao meu culto a tua memória e a tua poesia.
Nota: Alberto Cunha Melo encantou-se no dia 12 de outubro de 2007. Sobre este poeta maior consulte o site: www.albertocmelo.com
Acesse o “Coisas da Vida“: http://www.cenasecoisasdavida.blogspot.com/